Tem gente que realmente se importa com o próprio carro e faz as manutenções preventivas nos prazos recomendados pelo manual do proprietário ou pelo mecânico de confiança. Além disso, nunca deixa o veículo sob o sol ou embaixo do sereno.

De fato, os exemplos citados contribuem para prolongar a vida útil do veículo e deixá-lo com boa aparência. Contudo, bastam alguns erros para que esses cuidados percam o efeito ou, pelo menos, tenham a eficácia reduzida.

Selecionamos cinco mancadas capazes de colocar a perder tanto carinho. Afinal, nunca é tarde demais para aprender a tratar melhor ainda o seu automóvel. Confira.

1 – Rodar sempre com o motor frio

Motor precisa atingir temperatura de funcionamento ideal para receber lubrificação adequada
Imagem: Divulgação

Muitos batem no peito ao dizer que seu carro roda pouco e está “como se fosse zero-quilômetro”.

Porém, quilometragem baixa não é sempre uma virtude: depende muito da forma como você roda com o veículo.

Já vou explicar: o motor precisa atingir determinada temperatura para o calor expandir os componentes internos e, assim, proporcionar condições ideais de funcionamento e lubrificação.

Usar o automóvel continuamente em deslocamentos muito curtos, insuficientes para se atingir a temperatura correta, acelera o desgaste e eleva o consumo de combustível.

“Dirigir durante menos de 15 minutos nem esquenta o óleo do motor, impossibilitando a lubrificação adequada. Tem carro com baixa quilometragem que apresenta mais desgaste na comparação com um exemplar mais rodado, que no entanto funciona a maior parte do tempo na temperatura ideal”, pontua Erwin Franieck, mentor em engenharia avançada da SAE Brasil.

Franieck informa que veículos abastecidos com etanol tendem a apresentar mais problemas na “fase fria”, especialmente em localidades com temperaturas mais baixas.

“Em dias frios, a partida de motor abastecido com etanol tende a ser mais difícil em carros antigos, sem sistema de pré-aquecimento. Injeta-se mais combustível no arranque e a parte não queimada do etanol gera água como resíduo. Se o motor não esquentar adequadamente, a água não evapora e acaba contaminando o óleo, comprometendo sua performance”.

2 – Completar nível do radiador com água de torneira

O nível do líquido de arrefecimento deve ser completado com combinação de água desmineralizada e aditivo
Imagem: Foto: Shutterstock

Verificar o nível do sistema de arrefecimento do motor regularmente é um ótimo hábito, sobretudo se o carro for bastante rodado, mais sujeito a vazamentos.

Só que completar o nível com água da torneira é uma prática bastante danosa, pois, com o passar do tempo, isso provoca corrosão e até entupimento de tubulações, dutos internos e bomba de água – além de diminuir a temperatura de ebulição.

Ao consultar o manual do proprietário de diferentes veículos, a orientação básica é a mesma: colocar água destilada ou desmineralizada em combinação com o aditivo recomendado pela montadora, na proporção correta.

“A percentagem do aditivo varia de acordo com o veículo. Alguns requerem colocar mais ou menos no reservatório. Siga sempre o que diz o manual”, recomenda o engenheiro Francisco Satkunas, conselheiro da SAE Brasil.

Água comum, seja da torneira, do rio ou até mineral, daquelas compradas no supermercado, forma resíduos indesejáveis, como calcário.

O aditivo, por sua, vez, é essencial para evitar corrosão e também elevar a ebulição do líquido de arrefecimento – reduzindo o risco de o motor “ferver”.

Vale destacar que nunca se deve abrir o reservatório, também conhecido como vaso de expansão, com o motor ainda quente – o líquido e os gases aquecidos e sob pressão podem causar queimaduras graves.

Após o motor esfriar, abra a tampa lentamente e com cuidado, pressionando-a levemente para baixo e girando-a no sentido anti-horário.

Se o motor superaquecer por falta de líquido, redobre os cuidados ao abrir a tampa e adicione a água desmineralizada e o aditivo lentamente e em pequenas quantidades – isso previne o choque térmico, capaz de trincar o bloco do motor.

Quanto ao nível, este deve estar entre as marcações máxima e mínima, presentes no reservatório.

3 – Trocar óleo só de acordo com quilometragem

Carro que roda pouco não deve atrasar a troca do óleo; em geral, lubrificante perde eficiência em 6 meses
Imagem: Lucas Lacaz Ruiz/A1

Trocar o óleo do motor e o respectivo filtro dentro da quilometragem estipulada no manual do proprietário é uma orientação básica para você evitar gastos não previstos e eventualmente elevados.

No entanto, muitos ignoram que, além da distância percorrida, o fluido tem prazo de validade. Ou seja: a hora da troca é determinada pelo item que vencer primeiro.

Franieck explica que, após determinado período, os componentes do óleo se degradam e sua capacidade lubrificante fica comprometida, elevando o atrito de componentes internos do motor – e, consequentemente, o consumo.

Outro detalhe: em condições severas de uso, como rodar predominantemente em vias não pavimentadas, com muita carga e sob tráfego congestionado, a quilometragem e o prazo para troca são antecipados.

O especialista recomenda, ainda, seguir fielmente a especificação de óleo recomendada no manual do veículo.

Vale destacar que o óleo do motor não é o único item com prazo de validade em um carro – os pneus, por exemplo, também perdem a eficiência após determinado período, mesmo sem rodar. A data de vencimento do pneu é informada na respectiva lateral.

4 – Usar combustível de procedência duvidosa

Fiscal da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) testa qualidade de gasolina
Imagem: ANP/Divulgação

Com o objetivo de poupar dinheiro, ainda mais em tempos de combustíveis inflacionados, é comum abastecer preferencialmente em postos que oferecem os melhores preços.

Preço baixo não é sinônimo de adulteração, mas vale a pena desconfiar quando os valores praticados estão muito abaixo da média do mercado.

Erwin Franieck orienta a priorizar postos conhecidos e sempre pedir a nota fiscal para comprovar a compra.

A dica é importante, pois gasolina “batizada” com solvente e etanol adulterado com água são capazes de afetar seriamente a saúde do motor e dos seus agregados.

“O solvente danifica componentes como dutos, vedações e peças emborrachadas, além causar a formação de depósitos no interior do propulsor. Etanol com mais água do que determina a especificação acelera a corrosão de itens e traz funcionamento irregular”.

As consequências imediatas do abastecimento com combustível adulterado são perda de performance e alta no consumo.

5 – Ignorar amaciamento do motor

Renault diz no manual do Sandero 2020 para não passar de 130 km/h nos primeiros 1.000 km
Imagem: Murilo Góes/UOL

Há quem compre carro zero-quilômetro pensando que amaciar o motor é coisa do passado.

Porém, muitas marcas, para não dizer a maioria delas, ainda trazem no manual orientações para não abusar do acelerador durante os primeiros quilômetros de uso.

Assim, o motor não é tão exigido até que componentes internos se ajustem e ele atinja o nível ideal de operação – com aumento na performance e redução no consumo de combustível.

O manual do Renault Sandero traz essa recomendação: “Até atingir os primeiros 1.000 km, não ultrapasse 130 km/h na troca de marcha mais elevada ou 3.000 a 3.500 rpm. No entanto, só após cerca de 3.000 km, seu veículo irá proporcionar todo seu desempenho”.

De acordo com Erwin Franieck, apesar dos avanços tecnológicos, os projetos atuais de motores a combustão interna ainda levam em conta o período de “amaciamento” e nada indica que isso vá mudar em um futuro próximo.

“A superfície de componentes metálicos internos de um motor novo apresenta rugosidade, ou seja, variações no relevo que não são as ideais. Isso vale para todo o trem de força, incluindo engrenagens, eixos e mancais, que precisam de quilometragem para atingirem esse assentamento natural”, explica o especialista.

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Fonte: https://www.uol.com.br/carros/noticias/redacao/2021/10/01/voce-tem-certeza-que-cuida-bem-do-carro-mas-esses-5-erros-provam-que-nao.htm